American Horror Story Coven: As bruxas em New Orleans

Em sua terceira temporada American Horror Story se apresenta incrivelmente como a mais eclética até o momento; importando inclusive elementos culturais estrangeiros à cultura norte-americana, como o monstro de Frankenstein ou mesmo mitologia grega. Para quem imaginava que seus autores haviam atingido o limite da imaginação aos mesclar personagens tão diferentes quanto canibais e a Dália Negra, ou nazistas e abduções aliens nas duas primeiras temporadas, este novo ano promete muito mais.

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As tramas que se desenrolam agora tem como espaço central uma escola para jovens bruxas chamada Academia da Senhorita Robichaux, localizada na cidade de Nova Orleans. Tal escola visa desenvolver e preservar o talento de jovens meninas descendentes das antigas bruxas dizimadas durante os infames julgamentos de Salém, Massachusetts, no final do século XVII.

Seu subtítulo – Coven – carrega em si muito mais do que simplesmente um espaço a ser habitado por figuras exóticas, como foi o caso da temporada de estreia (Murder House) e da passada (Asylum). Agora o espaço centralizador das histórias de terror carrega uma bagagem mítica especial, ao situar ali a perseguição às bruxas ao longo dos últimos séculos.

Para proteger o seu legado e garantir a sua sobrevivência a escola deveria contar com a liderança de sua Supreme: nome dado a mais poderosa bruxa nascida em cada geração. Mas a atual mestre acaba de retornar de um longo período de ausência e negligência (Fiona Goode, representada por Jessica Lange), demonstrando o quão egoísta ela tem sido nos últimos anos, utilizando-se de sua posição unicamente em benefício próprio.

A partir desse reencontro das jovens com a sua líder vemos o desenrolar de uma série de embates, especialmente entre o clã das bruxas e suas arqui-inimigas do universo Vodu, encabeçadas pela Voodoo Queen Marie Laveau (Angela Bassett). Esse mote insere o tema do racismo na trama, que acompanhará toda esta temporada; racismo esse personificado magnificamente pela atriz Kathy Bates e sua personagem Madame Delphine LaLaurie. A toda essa guerra se soma uma corporação centenária formada por caçadores de bruxas cujo objetivo é o de exterminar todas elas, independente da cor de sua pele.

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Seres de A Noite dos Mortos Vivos, crianças se divertindo no Halloween, Ouija Board e até moto-serras ao melhor estilo Ash Williams fazem parte do universo desta terceira temporada, que está mais pop do que as suas duas anteriores por causa do seu universo adolescente dominante (através das alunas-bruxas) e também pela sua trilha sonora. O fanatismo da bruxa Misty Day (Lily Rabe) pela cantora Stevie Nicks (Fleetwood Mac) faz com que nem mesmo o Jazz de New Orleans supere essa atmosfera.

Mas a cidade e sua mística se mostram sempre presentes, especialmente nos flashbacks da trama ao período escravocrata, fazendo com que o racismo histórico nos EUA tenha uma importância significativa no enredo. Assim como em Asylum – quando o raciocínio nazista doentio e ganancioso foi apresentado – aqui também a “lógica” do comportamento racista aparece como pano de fundo para um outro preconceito a ser exposto: aquele contra as bruxas herdeiras do ocorrido em Salém.

Além do canal FX (disponível na maioria das operadoras de TV por assinatura do país), American Horror Story também pode ser assistida via Internet no site Fox Play Brasil (serviço disponível para os já assinantes da TV em www.foxplaybrasil.com.br) e através da empresa de TV por demanda Netflix (com disponibilidade de temporadas completas da série em www.netflix.com). Já os colecionadores brasileiros podem adquirir versões em DVD das suas quatro primeiras temporadas, que já se encontram disponíveis para compra no país.

Sobre o Autor

Titi Gomez Já estive atendente de vídeo-locadora, ator, educador de uma creche, escritor, barman... Sou chegado em trecos DIY e tattoos... Go Vegan!

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