R.F. Lucchetti: O mestre do Horror e da Pulp Fiction

Este texto começa com a árdua tarefa de se conseguir dar um subtítulo à descrição de R.F. Lucchetti. Um Mestre da Pulp Fiction, O Lovecraft de Ribeirão Preto (crédito para o cineasta Ivan Cardoso por essa), O Escritor dos 1500 Livros, O Autor dos Mil Heterônimos (mais uma de Cardoso). R.F. Lucchetti é um nome praticamente indecifrável no mundo das Artes; ou pelo menos impossível de ser rotulado.

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Paulista da cidade de Santa Rita do Passa Quatro, Rubens Francisco Lucchetti tem a sua figura quase sempre lembrada como a de um ficcionista. Mas ele é daqueles gênios, raríssimos, que transitam por tantas áreas artísticas que descrever de maneira completa as suas realizações se torna possível apenas através de uma extensa biografia, que poucos escritores se arriscariam a realizar, devido a sua grandiosidade.

Lucchetti tem em sua obra romances, contos, roteiros de Cinema, histórias em quadrinhos, fotonovelas, programas para TV e Rádio, peças de teatro. Mas particularmente deve-se creditar a ele também uma intensa produção como ativista cultural, posição pouco vista nos dias de hoje, em que a especialidade toma conta das atividades humanas, mesmo – ou principalmente – das artísticas.

A ele coube nos últimos 70 anos de estrada realizar e divulgar atividades radiofônicas, escrever para jornais como O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, e fazer Cinema nas mais variadas frentes (como por exemplo na sua série de animações em parceria com o artista plástico Bassano Vaccarini no começo da década de 1960).

Fascinado pelos contos de Edgar Allan Poe e filmes B dos EUA, aos oito anos de idade Lucchetti, inspirado em um vizinho, escreveu uma história sobre um misterioso corcunda. Momento em que começava a carreira mais prolífica no universo dos contos de Terror, histórias sobre crimes, contos eróticos e bangue-bangue da Literatura brasileira. Sob o gênero bangue-bangue, na verdade, ele confessa que se aventurou pouco, tendo escrito “apenas” 60 livros.

A sua produção voltada para o Terror engrandeceu e ajudou nas últimas décadas a estabelecer o gênero de maneira só comparada ao que realizou até hoje o cineasta José Mojica Marins, que considera Lucchetti o continuador do seu trabalho, devido a sua qualidade como roteirista. Essa parceria entre dois gênios multimídia rendeu uma extensa obra como os programas de TV Além, Muito Além do Além (1967-68) e O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968), roteiros de HQs e Fotonovelas, e mais de uma dezena de longas-metragens.

Entre os longas de Terror que Lucchetti roteirizou e Mojica dirigiu destacam-se (principais títulos):

– (1968) Pesadelo Macabro (episódio do filme Trilogia de Terror)

– (1968) O Estranho Mundo de Zé do Caixão

– (1970) O Ritual dos Sádicos

– (1971) Finis Hominis

– (1974) O Exorcismo Negro

– (1976) A Estranha Hospedaria dos Prazeres

– (1978) Delírios de um Anormal

O fã mais atento perceberá que todos os grandes filmes de Terror de Mojica – à exceção de sua trilogia À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967) e Encarnação do Demônio (2008) – passaram pela máquina de escrever de R.F. Lucchetti.

E se Mojica é o genial criador do primeiro filme de Terror do Brasil (com À Meia-Noite…), seu roteirista preferido é o autor do primeiro livro do gênero no país – Noite Diabólica (Editora Outubro, de 1963) – e do primeiro Graphic Novel do mundo (com o desenhista ítalo-brasileiro Nico Rosso) – O Filho de Satã (Editora Taika, de 1970).

Sobre o Autor

Titi Gomez Já estive atendente de vídeo-locadora, ator, educador de uma creche, escritor, barman... Sou chegado em trecos DIY e tattoos... Go Vegan!

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