A Guerra dos Mundos entra em pré-venda na DarkSide

Ilustração de Henrique Alvim Corrêa em que a cabeça de uma máquina marciana, com dois olhos redondos e um canhão de raio, surge atrás de um morro escuro

A DarkSide Books abriu na terça, 29 de setembro, a pré-venda de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, em edição especial do selo Medo Clássico com as ilustrações clássicas do brasileiro Henrique Alvim Corrêa, publicadas na edição francesa de 1906. O lançamento está marcado para 20 de novembro.

A invasão que vem de Marte

Na história, criaturas vindas de Marte, com inteligência superior e armas muito avançadas, tentam dominar a Terra e eliminar a humanidade, porque o próprio planeta chegou ao esgotamento. Quando o cilindro marciano se abre e os trípodes entram em movimento, a Inglaterra vira território de caça, e quem narra é um homem que luta para sobreviver à devastação de Londres.

Wells escreveu o romance entre 1895 e 1897, quando a Inglaterra, sua terra natal, mantinha colônias em todo o planeta. Ao contar como forças alienígenas subjugam os ingleses, o autor inverte o telescópio colonial e obriga o império a se ver como presa, numa alegoria das violências do colonialismo, segundo a DarkSide.

As ilustrações de Alvim Corrêa

Henrique Alvim Corrêa nasceu no Rio de Janeiro, em 1876, e é considerado um dos mestres da ilustração do começo do século 20, segundo a DarkSide. Nas imagens que criou para A Guerra dos Mundos, ele trabalha o contraste entre a escuridão e a luz ofuscante dos raios alienígenas, e o seu traço, para a editora, definiu a atmosfera do universo de Wells.

O artista morou em Lisboa e em Paris antes de se fixar em Bruxelas, na Bélgica. Começou a série em 1903, sob o impacto da leitura do romance, e Wells considerou o trabalho tão extraordinário que o convidou para a edição francesa do livro, publicada em 1906. Alvim Corrêa morreu em 1910, aos 34 anos, e a DarkSide lembra a frase com que Wells reconheceu o seu legado: "Alvim Corrêa fez mais pelo meu trabalho com seu pincel do que eu com minha caneta."

A edição e o posfácio de Braulio Tavares

A tradução é de Braulio Tavares, que assina também um posfácio escrito especialmente para esta edição. No texto, ele reconhece que o livro pode ter tido precursores e o define como a história de invasão marciana "mais influente, a que estabeleceu figuras de narrativa que impregnaram o gênero".

A edição especial tem 368 páginas, capa dura e formato de 16 por 23 centímetros, com indicação para maiores de 12 anos. A página do livro reúne elogios de nomes como Joseph Conrad, que via em Wells "o realista do fantástico", e Brian Aldiss, para quem ele é "o Shakespeare da ficção científica".

O clássico que ensinou a temer o desconhecido

A loja da DarkSide apresenta a nova edição como a de uma obra que ainda nos ensina a temer o desconhecido. Para a editora, é também um romance inventivo, divertido e ágil, que rendeu a Wells o apelido de pai da ficção científica.

A DarkSide cita entre os que devem muito a Wells escritores como Jorge Luis Borges, Ray Bradbury, Margaret Atwood, Octavia Butler e Ted Chiang, cineastas como Steven Spielberg, Tim Burton, Roland Emmerich e Denis Villeneuve, quadrinistas como Philippe Druillet e Alan Moore e artistas como David Bowie.

A obra se espalhou pela cultura popular do século 20, de revistas pulp e gibis da era de ouro a programas de TV, filmes e séries. Para a editora, o auge veio em 1938, quando Orson Welles adaptou o romance numa transmissão de rádio que causou pânico nos Estados Unidos. Desde então, segundo a DarkSide, cada relato de contato com extraterrestres e cada medo de uma invasão marciana evoca, ainda que involuntariamente, a obra de Wells.

Wells na Medo Clássico

H.G. Wells nasceu em Londres, em 1866, e estreou no romance em 1895 com A Máquina do Tempo, que a DarkSide publicou em 2021. O sucesso abriu caminho para outros livros célebres, como A Ilha do Doutor Moreau, de 1896, e O Homem Invisível, que a editora lançou em 2026. Mais tarde, o autor se dedicou a textos e ações de engajamento social, criticou a Primeira Guerra Mundial e defendeu a igualdade entre os povos. Morreu em Londres, em 1946.

Segundo a DarkSide, a nova edição celebra os 130 anos de A Guerra dos Mundos e os 160 anos do nascimento de Wells. Para a editora, o clássico mostra que toda superioridade é apenas o ângulo dos favorecidos, e que a Terra já foi, muitas vezes, o planeta Marte de alguém.

Pré-venda até 20 de novembro

A pré-venda está aberta na loja oficial da DarkSide até o lançamento, marcado para a sexta, 20 de novembro, e inclui brindes exclusivos por tempo limitado. No mesmo dia, a editora abriu também a pré-venda de Yōkai: Fábulas Japonesas, coletânea de 29 fábulas da Era Meiji com xilogravuras originais, outro lançamento da Medo Clássico.

Fontes: DarkSide Books, anúncio de A Guerra dos Mundos no DarkBlog – DarkSide Books, página de A Guerra dos Mundos na loja oficial